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PROJETO CORAÇÃO DA CASA

A cozinha é o espaço de maior interação nos terreiros de candomblé. É onde se dá a preparação da comida dos orixás - uma das práticas que atualiza a tradição e os fundamentos ancestrais do candomblé. Trata-se de um saber-fazer transmitido através da oralidade, da observação e da convivência entre diferentes gerações no ambiente da cozinha. O projeto Coração da Casa busca promover o reconhecimento das comidas de santo enquanto memórias gustativas vivas, portadoras de afeto e da identidade da cultura afro-brasileira.

 

As comidas dos orixás representam a ligação entre os seres humanos e essas deidades. Sua feitura organiza o trabalho coletivo dos filhos da casa,  organizados hierarquicamente pela Yabasse (responsável pela preparação da comida ritualística), seja para atender as demandas das funções internas ou para a preparação de festas abertas à comunidade, que têm como característica a receptividade carinhosa e a fartura de alimentos aos visitantes. Por meio da presente iniciativa, esse saber em torno da culinária será compartilhado com a comunidade em geral por meio de ações vivenciais, da arte-educação e da difusão de conteúdos.

 

Previsto para acontecer entre os meses de maio e setembro de 2017, o Coração da Casa  empreenderá as seguintes ações: construção de uma nova cozinha na Casa de Candomblé “Ilè Asé Odé T’Ojú Òmó”- Casa do Caçador, em Praia Grande, Fundão-ES; realização da Oficina de Comida de Santo da cozinha de Iansã, atividade voltada para estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo na qual será ensinado o modo de preparo do akará; exposição Coração da Casa, mostra que será sediada no Raiz Forte Espaço de Criação, no Centro de Vitória, e apresentará os registros da Oficina e sobre a comida de santo; e publicação de conteúdos sobre a culinária dos terreiros (textos, fotos, vídeos, depoimentos etc) através de site e das redes sociais.

 

Com a  realização deste projeto mais pessoas terão conhecimento sobre a cultura e às  tradições do candomblé, o que irá contribuir para desfazer preconceitos e combater o racismo religioso. Dessa forma, também promove-se o reconhecimento da história afro-brasileira, tão desvalorizada pelos padrões eurocêntricos que predominam no nosso país, e valoriza-se a  diversidade étnico-cultural e religiosa de nossa sociedade.

 

Nas casas de axé a preparação da comida é feita de modo sustentável. Todas as partes do alimento são aproveitadas e ainda procura-se incentivar a produção local desses ingredientes. Dessa forma, a cozinha de santo é um local de grande consumo a partir da qual é possível estabelecer parcerias locais para a produção de alimentos e com outras redes de resistência afro-brasileiras como com as comunidades quilombolas e indígenas.


O aprendizado da vida em comunidade que a cozinha de orixá representa é de suma importância para a vida em coletivo. Através da divisão de tarefas e do trabalho colaborativo tudo é produzido dentro de um terreiro de candomblé. Isso contribui para instituir uma forma de sociabilidade na qual o viver coletivamente é intensamente mediado pela percepção e atenção com o outro, dessa forma a consciência individual é sempre convidada a refletir sobre o viver coletivamente no cotidiano.

 

SOBRE O ACARAJÉ

O akará, mais popularmente conhecido como acarajé, é um alimento que representa bem a ancestralidade e a importância das comidas de orixá enquanto repositório da memória ancestral. O acarajé veio com os escravos nagôs das regiões iorubás da Nigéria e do atual Benin, em terras brasileiras era oferecido às divindades nos emergentes terreiros de candomblé da Bahia desde o início do século XIX, e tomaram as ruas e o domínio público com os tabuleiros das baianas.

 

Comida ritual da orixá Iansã, ou Oiá, o acarajé tem origem na junção de duas palavras do iorubá: “Akàrà”, que significa “bola de fogo”, e “jé”, comer. Considerado uma comida sagrada pelas baianas, quituteiras cujas primeiras representantes eram africanas alforriadas do Brasil Colônia e cujo ofício foi reconhecido como patrimônio cultural brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2005.

SOBRE O ILÈ

O “Ilè Asé Odé T’Ojú Òmó”- Casa do Caçador, é uma casa de candomblé, localizada em Praia Grande, Fundão, ES, do Babalaorixá Gildo de Oxóssi, e tem como sua Casa Matriz o Palácio de Oxalá,  localizado em Jacaraípe, no município de Serra, ES. Ambas da nação ketu, essa duas casas são próximas uma da outra, permitindo um interrelação constante para que as raízes culturais do candomblé ramifiquem-se de forma conscistente e coerente com os seus fundamentos. Sendo o Babalaorixá Gildo de Oxóssi filho de Edson de Oxalá – iniciado por Wilson de Oxossi, do Ilè de Oxóssi e Oxum, dando a continuidade de suas obrigações com mãe Meninazinha de Oxum, que é filha de Iadavina de Omulú, que é filha de Procópio de Ogum, do templo Ilê Ogunjá, situado no Baixão, antigo Matatu Grande, em Salvador  - casa fundada por volta de 1906. Procópio de Ogum foi iniciado pela Sacerdotisa Africana Marcolina de Oxum, da cidade de Palha, África, em meados do século XIX e início do século XX.

 

São parceiros desta iniciativa o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Ufes (NEAB), com vistas a  integrar as linhas de pesquisa deste núcleo à realidade local do candomblé capixaba, fomentando mais diálogos e produções para aplicação da Lei nº 10.639/2003 e estabelecer redes de resistência, manutenção, promoção e sustentabilidade das religiões de matriz africana; e o Raiz Forte Espaço de Criação, que possibilitará uma maior mobilização dos moradores das regiões centrais da Região Metropolitana de Vitória para conhecerem a cultura do candomblé, uma vez que as casas de matriz africana localizam-se predominantemente nas periferias das cidades, fazendo com que boa parte da população acessem essa expressão cultural e religiosa.  

 

O Coração da Casa é uma realização coletivo cultural Iaoto e conta com recursos do Fundo Estadual de Cultura do Espírito Santo, por meio do Edital nº 05/2016 - Seleção de Projetos Culturais e Concessão de Prêmio para Pontos de Memória.

AGENDA

EXPOSIÇÃO CORAÇÃO DA CASA

PROGRAMAÇÃO:
20/09 quarta-feira - Abertura - 19 às 22 horas
21/09 quinta - feira - 13 às 18 horas - visitação escolas
22/09 sexta-feira - 13 às 18 horas - visitação escolas
23/09 sábado - 16 às 20 horas - Roda de Conversa

27/09 quarta-feira - 19 às 21 horas - Roda de Conversa
28/09 quinta-feira - 8 às 12 horas - visitação de escolas
29/09 sexta-feira - 8 às 12 horas - visitação de escolas
30/09 sábado - 16 às 20 horas - encerramento com apresentações culturais.

LOCAL: ESPAÇO DE CRIAÇÃO RAIZ FORTE

Rua do Rosário, 120. Centro - Vitória - ES.

Evento facebook: http://bit.ly/2vQmpJ0

20 A 30

SETEMBRO

Babalaorixá Gildo de Oxóssi - 27 99851-4852 -somente whatsapp

iaotocoletivo@gmail.com

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Como chegar: Rua Fulséia, 19 - Mirante da Praia - Praia Grande - Fundão - ES

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IAOTO

ILÈ ASÉ ODÉ T'OJÚ ÒMÓ

O Ilè Asé Odé T’Ojú Òmó é  um coletivo cultural de matriz africana que foi criado há aproximadamente 10 anos, e desde o início de 2016 possui sede própria no município de Fundão, Grande Vitória, Espírito Santo.

A criação do grupo foi motivada pela manutenção da cultura ancestral afro-brasileira, estimulando estudos e vivências das práticas litúrgicas das religiões de matriz africana, mais especificamente o candomblé, que cultua os elementos da natureza, as divindades chamadas Orixás. O culto aos Orixás foi trazido pelos africanos escravizados, e aqui transformou-se em uma das únicas referências de tradição ancestral preservada até hoje, reunindo conhecimentos como o idioma (yorubá), memória gustativa (comidas), plantas (medicinais e espirituais), danças, cânticos, dentre outros elementos da cultura africana.

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